segunda-feira, 2 de julho de 2007

desvario no.1

finalmente comeco a desvairar de fato, com o perdao da falta de acentos, cedilhas e demais sinais graficos. demorei bastante tempo pra atualizar a pagina, mas e' que estou cumprindo fielmente o trato feito comigo mesmo de so' escrever aqui quando estiver inspirado. dessa maneira espero que as ideias contidas neste blog sejam fruto de meus questionamentos espontaneos (e nem sempre frequentes) a respeito da Vida, do Universo e Tudo o Mais (haha. salve Douglas Adams). ultimamente ando pensando bastante a respeito das desigualdades sociais pelas quais me vejo cercado. nao ha' como deixar de refletir: e' tao frequente a nossa exposicao a acontecimentos degradantes gerados pela devastadora situacao de injustica reinante em nosso meio que torna-se praticamente impossivel deixar de se questionar sobre isso tudo (ufa!). eu nasci numa familia abastada, nao tenho do que reclamar. nem sempre tive tudo aquilo que quis, mas o essencial nunca faltou: e agora vejo que isso foi de extrema importancia na minha formacao humana, no estabelecimento dos valores que fazem com que eu seja quem sou hoje. bom, infelizmente essa realidade nao e' aquela vivida pela maior parte da populacao do mundo. observa-se, sim, uma crescente onda de individualismo tomando cada vez mais pessoas. nao e' nada dificil observar transeuntes passando indiferentes por esmoleus dantescos, nem ao menos dando-se ao trabalho de fita-los durante muito tempo, enojados por sua aparencia repugnante. eu mesmo ja' me inclui em tal grupo em alguns momentos. e por mais que certas vezes tais visoes possam ate' sensibilizar-nos momentaneamente, o efeito nao costuma durar muito; normalmente ate' um pouco antes de se chegar em casa, trocar de roupa, ligar a tv ou o computador e adentrar no mundo utopico das novelas e sites de relacionamentos online, onde tudo e' nobre e tudo tem nome, onde os caes so latem pra enxotar a fome (Zeca Baleiro que o diga). e' vergonhoso admiti-lo, mas faco-o aqui por nao ter outro lugar e por saber que e' muito menos doloroso escrever do que falar, e o efeito de aliviar as tensoes e culpas e' praticamente o mesmo em ambos os casos. a consciencia pesa nos momentos em que me dou conta de que nada faco para ao menos tentar amenizar as aflicoes alheias. sim, tais nobres pensamentos me incomodam frequentemente, mas quase sempre sao logo abafados por outros, egoistas, que dizem "voce tem muito o que fazer, precisa estudar para o vestibular, vai ter de trabalhar um dia, deixe os outros com os problemas deles: voce ainda tera' muitos dos seus proprios pela frente para resolver". e assim eu sigo, neste dilema aparentemente insoluvel. ate' penso "nao, depois de passar no vestibular, terminar a faculdade e obter meu emprego, vou finalmente poder ajuda-los". sera' que vou conseguir? ou sera' que vou acabar por levar uma existencia vazia de significado, voltada para mim mesmo, acabando por entregar-me a Perpetua sem deixar nenhuma marca positiva neste lugar ou naqueles que virao para habita-lo depois de mim? isso e' realmente perturbador. agora ja' chega.